Atração de investimentos
Criando as condições certas
Programa Atração de Investimentos atende todo o estado; em Divinópolis, vai gerar 5 mil empregos diretos
Josie Menezes
Com 142 horas de instrutoria para a qualificação de gestores municipais, o
programa Atração de Investimentos, do Sebrae Minas, já resultou em impactos
positivos para 19 municípios mineiros. Em 2025, a metodologia foi aplicada em 12
cidades e, apenas em janeiro de 2026, já alcançou sete novos municípios,
evidenciando a confiança das gestões municipais e a efetividade da iniciativa.
Divinópolis é uma das cidades onde os resultados já começam a se materializar.
Logo após a conclusão do projeto-piloto, empresas já haviam confirmado
investimentos, a exemplo da Brasul, quarto maior negócio do município. “Estamos
em Divinópolis há mais de 20 anos e estou maravilhado com a iniciativa. Fomos
pioneiros ao abraçar o projeto com a prefeitura e o Sebrae Minas, e a tendência é
que muitos outros empresários façam o mesmo”, diz o empresário Sergio Moisés. À
frente da fornecedora de bebidas revendedora da Ambev, ele e seu pai trouxeram
mais oito companhias para atuar no município.
Crédito: Obelisco Filmes
Sergio explica que a Brasul sempre almejou ampliar as operações para além da
revenda de produtos. Agora, será possível fazer esse investimento de expansão na
própria cidade. “Vamos viabilizar a criação de um grande centro logístico industrial
integrado na região da Ferradura. O intuito do nosso grupo é criar mais empresas e
gerar mais empregos”, afirma. Ele avalia que a comunidade deve crescer
juntamente com as empresas muito rapidamente, visto que a região tem imenso
potencial devido à localização estratégica para o escoamento de produtos e
industrialização da cidade.
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Divinópolis, Igor Silva
Cardoso, faz a projeção do novo centro industrial. “O Complexo Ferradura vai iniciar
com a atração de R$ 250 milhões em investimentos e uma média de 700 a 800
contratações. A estimativa, ao longo dos próximos anos, é chegar à casa de R$ 1,5
bilhão em investimentos e 5 mil contratações diretas”, afirma.
Crédito: Obelisco Filmes
Igor conta que a aplicação da metodologia do Sebrae Minas começou em 2023. Na
secretaria, foram dez meses de trabalho formatando o edital e programando viagens
em busca de empresários. “O Sebrae Minas estava literalmente no carro conosco e
viajamos todo o Brasil para promover a nossa cidade. Negociamos com 89
empresários potenciais”, recorda. Ele afirma que, além de apresentar toda a
metodologia de atração de investimentos, o Sebrae Minas os conectou a players de
mercado em feiras e eventos, o que possibilitou o matchmaking com o investidor
final. O secretário ainda destaca a missão que tiveram para o Sul de Minas, em
Extrema, e visitas a Betim, Contagem e Belo Horizonte. “Nesse momento de rota e
mapeamento, o Sebrae Minas nos amparou e abriu a visão para algo que não
estávamos olhando. A prefeitura já tinha mais de 1 milhão de metros quadrados
disponíveis para a implementação de um novo complexo industrial”, explica.
Além do Complexo Ferradura, Igor ressalta que, no meio do caminho, houve um
investidor que viu a movimentação e decidiu investir R$ 100 milhões em um terreno
privado para fazer galpões logísticos Triple A, a partir de abril. Outro investimento
crescente em Divinópolis é na área da saúde. “Do ano passado para este, foram
três investimentos de hospitais: um neonatal, com quase R$ 30 milhões de
investimentos, um oncológico e um regional. Tudo isso com a ajuda também do
Sebrae Minas”, comemora.
Para além
Com a metodologia já implementada após o piloto em Divinópolis, outro destaque
do programa é o município de Cabo Verde, que possui cerca de 11 mil habitantes. A
iniciativa viabilizou a reativação e a expansão de um laticínio, gerando, de imediato,
30 novos empregos.
“Foram investidos mais de R$ 500 mil em estrutura. Para que tudo isso
acontecesse, foi preciso uma integração de mais de quatro secretarias, incluindo a
de Agricultura, além de cuidados para o acesso e a desburocratização de
processos”, explica o secretário de Inovação e Desenvolvimento Econômico de
Cabo Verde, Júlio César de Sousa. Também será dado início a um programa de
cursos de capacitação para os produtores de leite da localidade. Além disso, Júlio
relata o envolvimento do empresário, que se comprometeu não só a reabrir o
laticínio, mas a levar para a planta de Cabo Verde outros produtos do seu mix.
Crédito: Obelisco Filmes
Para o secretário, a capacitação promovida pelo Sebrae Minas ampliou a visão da
equipe da prefeitura sobre as possibilidades de atração de investimentos para o
município. “Por décadas, nós mal olhávamos para nosso próprio desenvolvimento.
Em cidades pequenas como a nossa, é comum que os setores entrem em um
estado de conforto”, avalia. Além do laticínio reativado, ele celebra o recebimento no
município de novo laboratório de exames clínicos oriundo de Poços de Caldas, com
novos seis empregos diretos, que devem dobrar nos próximos meses. “Para nosso
porte, os números do laticínio e do laboratório são expressivos e representam uma
virada de chave”.
No estado, outros resultados do programa em fase de concretização são a
ampliação da operação de uma indústria de grãos e a vinda de indústrias têxteis e
de uma empresa chinesa de implementos agrícolas. São avanços que se refletem
diretamente na geração de empregos, aumento da renda da população e ampliação
da capacidade dos municípios de realizar novos investimentos.
Crédito: Obelisco Filmes
Primeiro, arrumar a casa
O programa Atração de Investimentos promove a capacitação intensiva dos times
das prefeituras em uma jornada que dura entre 10 e 12 meses e visa tornar a
gestão pública mais ágil e menos burocrática. O analista do Sebrae Minas Leonardo
Medina destaca uma das premissas da iniciativa: para o município ser bom para
empresas de fora, ele primeiramente precisa ser bom para aquelas que já estão
instaladas no território. “O primeiro pilar é ensinar as equipes das prefeituras a olhar
para dentro, tirando- -a do gabinete e colocando-as nas ruas conhecendo empresas
e entendendo de fato a dor dos empresários”, diz. O segundo pilar apontado por
Leonardo é ensinar o caminho para que a prefeitura possa fazer o processo de
prospecção, estando ancorada nos reais diferenciais que o município já tem ou
passou a ter, sempre sob a ótica do que favoreça a geração ou ampliação de
negócios.
O êxito, ao final desse processo, é resultado a conjugação de alguns fatores, como
o real entendimento dos diferenciais e fragilidades do município, proatividade,
assertividade na proposição/revisão legislativa, olhar estratégico para mercados,
boa comunicação e, sobretudo, capacidade de executar as ações necessárias para
implementação e perenidade dos negócios no município, ofertando aos investidores
previsibilidade e segurança jurídica.
No desenvolvimento econômico, o programa Territórios Mais Atrativos, do qual o
Atração de Investimentos faz parte, oferece uma gama de produtos. O carro-chefe,
segundo Leonardo, é a implementação da Lei da Liberdade Econômica. “Quanto
mais municípios desburocratizados e ágeis tivermos, maior o potencial de melhoria
do ambiente de negócios em Minas Gerais”, afirma.
O analista do Sebrae Minas ressalta, ainda, que a atração de investimentos tem o
potencial de ir além e induzir outras políticas públicas fundamentais para o
município. Assim, os próximos passos da instituição para a frente de
Desenvolvimento Econômico e Atração de Investimentos serão acelerar, ainda
mais, a desburocratização dos municípios, a implementação da Lei da Liberdade
Econômica e, a partir dessa desburocratização, levar a atração de investimentos
para esses territórios.
