Pequenas histórias de grande sucesso
De motorista a “uômi du doce”
Armando Alves transformou seu sonho em um negócio bem-sucedido
“Eu não consigo contar essa história sem me emocionar. É que, quando olho para trás e relembro todo o caminho que percorri desde que deixei um emprego estável como motorista para fabricar doces, mesmo sem saber cozinhar, tenho cada vez mais certeza de que cada passo valeu a pena.
Eu não era insatisfeito com o meu ofício anterior, nem descontente com o meu emprego. Comecei dirigindo caminhão em empreiteiras de construção civil e já estava em um cargo de supervisão. O salário era bom, tinha plano de saúde, benefícios. Mas faltava ter a família por perto. Eu precisava viajar muito e passar meses e meses longe da minha esposa e das minhas filhas.
Então, eu comecei a pensar em outras possibilidades de profissão e, um dia, como um click, me veio à boca o gosto do pé-de-moleque que minha avó fazia. Se eu já tinha feito pé-de-moleque alguma vez na vida? Nunca. Mas fui atrás de aprender como era. E depois de muitas pesquisas, muitos testes que deram errado e até uma viagem para o Sul de Minas em busca do pé-de-moleque perfeito, cheguei a uma receita que funcionou.
Comecei a vender o doce nos fins de semana, nas praças e comércios, até que tive a oportunidade de expor em uma grande feira de Belo Horizonte. Quando eu vi a expressão de satisfação no rosto das pessoas que comiam o pé-de-moleque e o estoque acabando rápido tive a certeza de que estava no caminho certo.
Crédito: Arquivo Pessoal
Um tempo depois, fui convidado para participar do projeto Origem Minas e um mundo novo se abriu para mim. Descobri que a marca que eu usava já era registrada, precisei mudar. Então nasceu a Serra Negra. Criamos a identidade visual, a produção saiu da cozinha de casa e foi para um cômodo comercial. Aos poucos, o negócio do pé-de-moleque foi crescendo e passei a ser chamado de “Uômi do doce”, até que tudo mudou novamente.
Uma das orientações do Sebrae Minas foi variar a opção de produtos oferecidos. Fiz algumas pesquisas, testei algumas receitas e um tempo depois criei o que acabou se tornando o nosso carro chefe: a bala de doce de leite. Foi um sucesso tão grande que posso dizer que há uma Serra Negra Doces antes e outra depois da bala.
Hoje, além da bala e do pé-de-moleque produzimos quebra-queixo, doce de leite cremoso tradicional, com raspas de limão, com café e zero açúcar. A fábrica foi transferida para um local maior e emprega 18 pessoas, moradoras da região de Betim (MG). Duas dessas funcionárias são especiais: minhas filhas, Amanda e Thauany, que vieram sonhar meu sonho comigo, enquanto investem em seus próprios sonhos.
Além delas, tenho o apoio da minha esposa, Heloisa, que mesmo achando tudo ‘uma loucura’ lá no início, sempre esteve ao meu lado. E, hoje, eu consegui o melhor dos dois mundos: a realização profissional e ter minha família por perto. Agora me diz, tenho ou não tenho motivos para me emocionar?”
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