É bom saber
Nas prateleiras da Europa
Toneladas de mel de aroeira foram exportadas para a Suíça no início de 2026
Fernanda Santos
O mel de aroeira produzido em Bocaiuva, no Norte de Minas, tem conquistado espaço no mercado internacional e reforçado o potencial da apicultura regional. Neste ano, 21 toneladas do produto foram enviadas para a Suíça, fruto de um trabalho desenvolvido pelo Sebrae Minas junto aos produtores locais para melhorar a qualidade e ampliar o acesso a mercados.
A exportação é resultado do trabalho iniciado em 2023 pelo Sebrae Minas e pela Cooperativa de Apicultores e Agricultores Familiares do Norte de Minas Gerais (Coopemapi). A primeira etapa foi um estudo dos mercados nacional e internacional para identificar o perfil dos consumidores e mapear oportunidades.
Com base nisso, foi verificada a possibilidade de explorar o mercado europeu. “Em 2024, levamos um grupo de apicultores para uma missão técnica, na Suíça. Eles perceberam que fatores como embalagem e informações nutricionais são decisivos para a comercialização”, conta o analista do Sebrae Minas Walmath Magalhães. No ano passado, o negócio se concretizou e, agora, o mel de aroeira foi enviado para o exterior.
Produto diferenciado
Com cor escura, textura densa e sabor amadeirado, menos doce que os méis tradicionais, o mel de aroeira reúne características que o diferenciam. Produzido em uma região de transição entre o Cerrado e a Caatinga, carrega atributos ligados à flora e às condições climáticas locais, fatores que contribuem para sua identidade única.
Em 2022, o mel de aroeira produzido no Norte de Minas recebeu o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Denominação de Origem. Atualmente, o Sebrae Minas oferece suporte técnico aos apicultores para execução de boas práticas de manejo, garantindo uma produção mais limpa e organizada, com foco na obtenção das certificações Naturland e Bio Suisse, dois dos mais rigorosos padrões de agricultura orgânica na Europa. “A certificação não aumenta vendas, mas traz credibilidade para alguns mercados”, explica Walmath.
No mercado interno
Segundo a analista do Sebrae Minas Danielle Fantini, os brasileiros ainda não veem o mel como alimento, por isso o consumo no país é baixo se comparado a outros países. O mercado europeu, por exemplo, representa cerca de 20% do consumo global, sendo um dos maiores consumidores de mel no mundo. Cada pessoa consome, por ano, entre 500 g e 1,2 kg do produto. Já no Brasil, esse número cai para 60 g a 240 g por pessoa ao ano. Por isso, a comercialização para o poder público e a participação em feiras e eventos no Brasil continuam sendo incentivadas, para fortalecer as vendas no mercado interno. “O objetivo é pensar sempre no acesso aos dois mercados, nacional e internacional. Não podemos abandonar nenhum, porque temos bastante produção”, afirma a analista do Sebrae Minas.
