Histórias de Sucesso

Pequenas histórias de grande sucesso

“FILHA, O QUE É SUPER GOLD?”

Lúcia Oliveira é produtora do Queijo do Ivair e, ao lado do marido, tem uma trajetória inspiradora de recomeço e vitória


Quem nos vê hoje nas emissoras de televisão não faz ideia do caminho para chegar até aqui. Gosto de brincar que a mídia mostra as coisas boas, mas ninguém sabe os perrengues que enfrentamos ao longo da nossa jornada. Em 2012, o Ivair, meu marido, estava com problema na coluna, o que dificultava a produção de queijos na roça. Aí achei que o melhor a fazer era abrir uma confecção na cidade.

Logo que nos mudamos para São Roque, busquei o Sebrae Minas em busca de capacitação. Nessa época, o Ivair andava depressivo, se sentia incapaz e foi somente com muito empenho que conseguiu concluir o Empretec.

No ano seguinte, eu fiz o mesmo curso e os negócios iam bem, mas o Ivair me chamou para dizer que queria voltar a fazer queijo, afinal, era o que gostava. Sabíamos que era um trabalho duro, que a parte de trabalhar com gado e tirar leite não tem folga. Mas voltamos e ficamos nos dividindo entre a cidade e o sítio.

Logo percebi que não conseguíamos nem costurar bem, nem produzir queijo bem e, no final de 2016, optei por abandonar a confecção. Voltei para a roça e só me preocupei em ajudá-lo novamente. Eu tinha me tornado uma empreendedora, comecei a estudar e buscar conhecimentos específicos. Estava preocupada, porque nosso queijo estava ficando mofado, então fiz um curso para entender como as tecnologias poderiam melhorar a qualidade do leite, do queijo e de todo o processo.

Colocamos em prática o aprendizado, e parecia estar tudo indo bem quando, de uma semana para outra, o nosso mercado - que era todo em Belo Horizonte – se fechou. Os revendedores ligavam e diziam: “não precisa mandar queijo assim não, porque ninguém quer comprar desse jeito”. De 2017 a 2019, ficamos sem cliente nenhum e foi um desespero. Até que um dos revendedores que nos incentivaram a deixar o queijo ficar mofado trouxe um amigo paulista que abriu o mercado de lá para nós. A demanda foi aumentando em São Paulo, e a gente pôde respirar de novo, fazendo, inclusive, melhorias na propriedade para expandir a produção.

Tudo foi acontecendo gradativamente, mas foi em 2019 que eu e Ivair entendemos o valor do trabalho de profissionalização feito junto ao Sebrae. A grande virada aconteceu no concurso francês Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, onde concorrem queijos do mundo todo. Quando vimos a listagem com o nome Super Gold, não entendemos nada. O Ivair ligou para nossa filha e perguntou: ‘Filha, o que Super Gold?” Ela respondeu, ‘É ouro, é ouro!’, e eu só pensava, ‘meu Deus, entramos para a história do queijo canastra de São Roque de Minas!’ Foi uma sensação de superação indescritível!

Depois de sermos premiados, o mineiro voltou a querer o nosso queijo, inclusive na capital. Em 2021, repetimos o mesmo feito na França: medalha de ouro e de bronze, além de várias outras no Brasil. Hoje temos visibilidade muito grande lá fora, e mesmo sendo conhecidos internacionalmente, não precisamos mudar em nada o nosso jeito de ser: somos muito simples e não mudaremos isso.

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