Histórias de Sucesso

Cafeicultura

Excelência que move o agro

Elo Educampo reúne produtores que transformam visão sistêmica em resultados e sustentabilidade


Lucas Alvarenga

Desenvolvido a partir de 1997 para oferecer consultorias gerenciais e técnicas a produtores rurais, o Educampo despertou o interesse e o compromisso do empreendedor rural em gerenciar sua propriedade como uma empresa. Durante três décadas, o programa do Sebrae Minas não só se consolidou como também evoluiu. Em 2018, a iniciativa se transformou em uma plataforma tecnológica inovadora, que proporciona gestão rural intensiva e continuada, ferramentas gerenciais, além de informação, análises e inteligência de dados. E, há um ano, o Sebrae Minas deu início a uma nova fase do programa, acompanhando as mudanças comportamentais e tecnológicas que impactam a cadeia do agronegócio.

No novo momento, a instituição reuniu 25 produtores de café para participarem do Elo Educampo, nova abordagem que estimula a construção de uma visão sistêmica, integrada, regenerativa e de impacto no campo. O piloto da iniciativa foi lançado em novembro de 2025 e selecionou os cafeicultores participantes a partir de três critérios: estar no Educampo há, pelo menos, quatro biênios e/ou cinco safras; ter produtividade e margem líquida por hectare maior que a média do último biênio; e atingir um custo operacional total por saca menor que a média do biênio anterior. “Círculo de excelência do Educampo, o Elo quer transformar esses produtores em referências para as novas gerações da cafeicultura no estado”, ressalta a analista do Sebrae Minas Fernanda Merlo.

A nova abordagem se diferencia pela adoção de estratégias avançadas e feedbacks constantes. Segundo Fernanda, o Elo oferece pertencimento ao movimento que está redesenhando o futuro da cafeicultura. “Durante a jornada no Elo Educampo, o produtor obtém acesso a capacitações práticas, plataformas tecnológicas, inovações, consultorias, mentorias, relatórios personalizados e exclusivos, novos benchmarks e conexões estratégicas que garantem mais eficiência, competitividade e sustentabilidade ao negócio por meio do modelo data-driven, cujas decisões são baseadas em dados reais e mensuráveis”, explica.

Em outra ponta, o Elo amplia os espaços de imersão e troca de experiências entre produtores rurais por meio da extensão presencial do programa, o Educampo Lab. “O evento reúne cafeicultores e especialistas para debater as boas práticas agrícolas regenerativas e aprimorar resultados do agronegócio. Os workshops discutem desde temas como tributação e mercado a gestão de pessoas, processos e qualidade do produto, promovendo uma troca de alto nível entre os participantes”, detalha Fernanda.

Regeneração e produtividade

Filho de um apaixonado por café, o engenheiro agrônomo Paulo Leite trocou a estabilidade de um emprego pelo desafio de cultivar café arábica em Perdizes, cidade a 415 km da capital mineira. Situada na região do Cerrado Mineiro, a Fazenda Seu Lulu – uma homenagem de Paulo ao seu pai, Luiz Gonzaga – é favorecida pela altitude local de 1.084 metros e pelo clima favorável, com verões quentes e úmidos, seguidos por invernos secos e suaves. Tais atributos produzem uma bebida equilibrada e encorpada, de aroma intenso, notas adocicadas e acidez cítrica.

Paulo Leite iniciou sua trajetória na cafeicultura em 2005
Crédito: Obelisco Filmes

Iniciada em 2005, a trajetória de Paulo se entrelaça à história de seu irmão, Luiz, e do sobrinho, Guilherme Barsaglini. Dois anos mais tarde, eles adquiriram a propriedade vizinha, a Fazenda Luar. “Nós enxergamos a fazenda como uma empresa, que deve estar pronta para superar as adversidades climáticas e de mercado. Ao aproveitarmos a sinergia entre as fazendas Lulu e Luar, não só viabilizamos o cultivo em escala de um café de qualidade superior como acelerarmos o sucesso na atividade”, observa o cafeicultor.

Inovação como cultura

A 106 km das fazendas Seu Lulu e Luar, em Ibiá, o engenheiro civil aposentado Rodrigo Gontijo atingiu um marco histórico, entre 2022 e 2024. Sob a consultoria de Rodrigo Ticle, a Fazenda Gravata alcançou o título de propriedade mais produtiva do Educampo no estado, com uma média de 63 sacas colhidas por hectare. “O Sebrae nos ajudou a conhecer melhor nossos custos, identificar os gargalos na operação e aprimorar a qualidade do produto. Hoje, estamos mais preparados para os desafios do café”, assegura.

Herdeiro da Fazenda Gravata, administrada pelos pais até 1988, Rodrigo demorou 20 anos para cultivar 9,5 hectares de café da propriedade. No entanto, o sucesso do plantio e o apoio do irmão – seu vizinho de cerca – fizeram-no abandonar a engenharia para se dedicar inteiramente a fazenda a partir de 2016. “Por recomendação do Educampo, adotamos diversas tecnologias, como a irrigação de 32 dos 56 hectares, o uso de adubos especiais e de produtos biológicos, a cobertura do solo nas entrelinhas e o plantio de variedades modernas”.

Entre 2022 e 2024, a fazenda de Rodrigo Gontijo foi a propriedade mais produtiva do Educampo Café em Minas
Crédito: Obelisco Filmes

Sob orientação do Elo, Rodrigo e sua família seguem um plano de crescimento sustentável, que inclui o plantio de mais 30 hectares em dois anos e a expansão da área irrigada à medida que as lavouras forem renovadas. “O Elo visa transformar o bom gestor em um empreendedor rural de excelência. A nova abordagem do Sebrae busca desenvolver habilidades de liderança e visão de futuro em produtores como o Rodrigo, tornando-os capazes de construir resultados superiores aos atuais, um legado duradouro e um impacto coletivo para a cadeia produtiva do cafe, finaliza a analista Fernanda Merlo.

Da origem do produto à sustentabilidade

O Cerrado Mineiro anunciou, em março, seu reposicionamento como marca território. De origem produtora, a região busca se transformar em um movimento regenerativo que envolve todo o território, para além da atividade cafeeira, ampliando seu papel na cadeia global do café. Conhecido como agricultura regenerativa, esse modelo de produção agrícola restaura a saúde do solo, reabilita ecossistemas e aumenta a biodiversidade ao melhorar os ciclos de água e nutrientes.

Diretor-superintendente da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), Simão Pedro de Lima defende o papel do Educampo para a consolidação da nova marca territorial. “A integração entre consultoria técnica intensiva, gestão eficiente e inovação, proporcionadas pelo Sebrae Minas, contribui para que nossos cooperados construam, de forma estruturada, uma cafeicultura mais regenerativa, resiliente e alinhada às demandas futuras do mercado e da sustentabilidade”.

O reposicionamento de origem – celebrado durante o lançamento da nova marca território, no Centro de Excelência do Café do Cerrado, em Patrocínio – transcende a identidade visual. “Essa transição amplia significativamente o valor da marca. O café deixa de ser percebido apenas como produto de alta qualidade para representar o propósito de um território comprometido com a pesquisa e inovação, a rastreabilidade e origem controlada, o turismo de experiência, a formação das novas gerações e a promoção da prosperidade”, conclui o gerente.

Pioneirismo

Em 2022, o produtor Fernando Beloni, de Patrocínio, tornou-se o primeiro cafeicultor do mundo receber a certificação Regenagri, que reconhece o modelo de produção agrícola regenerativa, que restaura a saúde do solo, reabilita ecossistemas e aumenta a biodiversidade ao melhorar os ciclos de água e nutrientes. No ano seguinte, foi a vez da Expocacer conquistá-la de forma pioneira. “A região está construindo um futuro, em que a origem é o alicerce desse movimento transformador”, analisa o gerente do Sebrae Minas na Regional Noroeste e Alto Paranaíba, Marcos Alves.